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Meditação na Educação Infantil


Data de Publicação :: 09/07/2019
Por Xavana Celesnah

Meditação nas escolas

Meditação na Educação Infantil

Faz sentido se falar em meditação para crianças? É provável que muitos digam que não, afinal seria na vida adulta que as pessoas teriam necessidade de um tempo para relaxar e se conectar ao momento presente, desacelerando e trazendo mais clareza à mente diante da quantidade de afazeres nas quais estão inseridas diariamente. Mas, é ilusão pensar que a infância é uma fase da vida desprovida de preocupações, obrigações e responsabilidades. Já é notável a quantidade de crianças estressadas devido ao excesso de atividades em suas rotinas, sem falar no uso desmedido de celulares, tablets e eletrônicos em geral que afetam o foco, a concentração e a qualidade do sono delas.

Conscientes desse contexto social, algumas instituições de ensino estão antenadas para os benefícios da meditação na educação infantil e têm incluído pequenos momentos da prática em suas grades curriculares. São muitos os pontos positivos da atividade: traz alívio para a ansiedade, melhora a concentração, relaxa a mente e o corpo, ajuda na conexão com a verdadeira essência interior, melhora sintomas de hiperatividade. Como as crianças, em sua maioria, são muito agitadas, o ideal é que os momentos de meditação sejam breves (começando por um ou dois minutos) e realizados de forma lúdica, sempre com orientação de algum professor, podendo ser inseridos dentro de uma contação de história ou durante alguma brincadeira.

A pedagoga e pesquisadora gaúcha Mariana Rocha encontrou uma maneira interessante de ir, aos poucos, inserindo a autoreflexão em sala de aula através do relaxamento. “Em uma pequena turma do Maternal 2 de 14 alunos, crianças com 3 a 4 anos de idade, realizei práticas de relaxamento. Durante esses instantes, solicitava que as crianças deitassem no tatame da sala e pensassem no que fizemos naquele dia. Enquanto massageava-os com uma bolinha de borracha, eles iam relatando sobre as suas percepções das atividades, das brincadeiras e até recontavam as histórias das rodas de leituras. Foi possível observar que esta prática deixava-os seguros do que estava acontecendo em aula. Com o tempo, eles mesmos pediam por esse instante que, com o decorrer das aulas, ia se aprimorando”, conta em seu trabalho Meditando e Brincando: Práticas de Meditação na Educação Infantil.

Quando ela relata que os alunos estavam mais seguros do que estava acontecendo em sala de aula, na verdade ela está se referindo ao grau de observação e de consciência que as crianças estavam ganhando ao pararem para pensar sobre o que estavam fazendo. A partir desse exercício, ela conseguiu criar um terreno propício ao silêncio, base do estado meditativo.

Aqui vão algumas dicas para meditação com crianças nas escolas:

Instrumentos Musicais: para se chegar a um nível de concentração maior, o uso de algum instrumento musical, como um sino tibetano ou até mesmo um violão, auxilia bastante. O educador pode pedir para que a turma preste atenção ao som da vibração de uma corda do violão ou do sino tibetano até que o som deixe de existir e, dessa forma, as crianças conseguem se concentrar para ouvir atentamente ao som, focando a mente no presente, que é justamente um dos objetivos da meditação.

Pequenas almofadas: O uso de pequenos objetos, como almofadinhas, também pode auxiliar na evolução da prática, pois os professores podem pedir para que as crianças se deitem, coloquem as almofadas acima do umbigo e observem como elas se movem para cima e para baixo de acordo com a respiração. Inclusive, podem comparar a entrada e saída do ar com um balão que enche e se esvazia.

Vela: essa atividade precisa ser feita com muito cuidado, em um ambiente adequado. Acender uma vela no meio de uma sala e dispor os alunos em um círculo ao redor da chama. Em seguida, o orientador da meditação pede para que as crianças foquem na luz da vela por cerca de um minuto.

Contação de História: Em algum momento da leitura de uma história infantil, acrescentar um momento em que se pede para que todos fechem os olhos, sentem com a coluna reta e respirem por alguns instantes.

A gestão escolar que inclui esse tipo de atividades na educação infantil desenvolve um ambiente pedagógico holístico, integrando os aspectos físico e emocional da aprendizagem em suas instituições de ensino. De acordo com a psicóloga e escritora Patrícia Gebrim, autora do best-seller Palavra de Criança, “o fato de conhecermos muito pouco do que se passa dentro de nós é o que nos leva a fazer escolhas inconscientes, que acabam atraindo em nossa direção uma vida tão confusa quanto o nosso interior”. É aí que a meditação entra como uma ferramenta para ajudar no autoconhecimento, ferramenta capaz de “desenvolver uma maior clareza interna e de nos tornar mais abertos à vida emocional das pessoas que nos cercam”, como escreve a psicoterapeuta Philipa Perry, em seu livro Como Manter a Mente Sã. E o quanto antes for aprendida, melhor.

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