Artigos

O Mito da Multitarefa: Menos é Mais


Data de Publicação :: 15/07/2019
Por Xavana Celesnah

Ser multitarefa é visto como uma qualidade pelo mundo corporativo, inclusive muitos anúncios de vagas de emprego incluem nas habilidades do pretendente ao cargo a ‘capacidade de ser multitarefa’. Ser capaz de fazer muitas coisas ao mesmo tempo pode até gerar uma aura de competência aos profissionais que efetuam numerosas ocupações, mas na realidade o ‘modo multitarefa’ prejudica a produtividade, o desempenho cognitivo e, de quebra, ainda causa problemas de saúde como o estresse e a ansiedade devido à sobrecarga de atividades numa só pessoa.

O conceito de “multitarefa” surgiu na década de 60 para referir-se aos recursos simultâneos de computadores, mas acabou se disseminando das máquinas para os cérebros, principalmente na sociedade conectada vinte e quatro horas da qual fazemos parte. Estamos acostumados a executar diversas funções em nossos smartphones, como enviar mensagens, receber notificações e pesquisar algo em uma das muitas guias abertas. Mas, nossos cérebros funcionam de modo diferente e temos adoecido por conta dessa necessidade que criamos de ter que realizar várias obrigações conjuntamente.

Gestão Escolar - O Mito da Multitarefa na Educação

Multitarefa, Quando Pouco é Muito. Apoio a Gestão de Cursos, Escolas e Faculdades

A comunicação não Violenta da Natureza

Com as redes sociais e novas tecnologias, são muitos os estímulos que prejudicam a capacidade de concentração e foco. De acordo com pesquisadores da cognição, nosso cérebro pode até realizar duas atividades ao mesmo tempo, contanto que uma delas esteja no piloto automático, como por exemplo, dirigir e cantar. Mas, não dá para ter um desempenho satisfatório em duas atividades que exijam mais do intelecto, como decidir algo em uma reunião e escrever um artigo ao mesmo tempo. A crença de que seremos mais produtivos ao sermos capazes de desempenhar várias coisas simultaneamente é um mito.

O que, de fato, ocorre é que os profissionais e estudantes que frequentemente alternam o foco de sua atenção acabam por não desempenhar bem nenhuma das funções que estavam sob sua responsabilidade. Isso porque além de demorar para voltar a se concentrar na atividade que estavam envolvidos, perdendo tempo para retomar o raciocínio, acabam não entrando no flow necessário para concluir a primeira tarefa.

O aprendizado está sendo muito comprometido devido ao uso de celulares em sala de aula. Simplesmente os professores não conseguem a atenção plena dos alunos, seja nas escolas ou mesmo nas faculdades. É um desafio para a gestão escolar saber inserir os smartphones de maneira vantajosa como prática pedagógica nas aulas. O que tem acontecido é um déficit para o aprendizado porque os estudantes não acompanham o raciocínio dos educadores, devido a necessidade de ficar a todo momento olhando suas redes sociais e jogando.

A ansiedade por estar sempre conectado tem invadido todos os espaços, não apenas as faculdades, escolas e cursinhos, como também os momentos de lazer. Em todos os ambientes as pessoas estão deixando de estar com presença plena para conferir o que está acontecendo na realidade virtual. Esse vício em checar constantemente as notificações dos celulares nos incentiva a fazer outras coisas, como responder aos emails, ouvir mensagens de áudio, responder comentários nas redes sociais, compartilhar fotos. Por mais simples que pareçam, essas pequenas distrações desconcentram e nos levam a querer realizar tudo ao mesmo tempo agora, prejudicando a memória e levando a uma queda no desempenho ao nos puxar para outras direções.

Diante desse contexto, surgiu um movimento chamado “Quiet Bliss”, que dissemina a importância de pausas nessa vivência virtual para que as pessoas consigam se reconectar consigo mesmas e com o local onde estão. Estar mais presentes significa, por exemplo, assistir a shows com os próprios olhos e não através da tela do celular; viajar sem ter a necessidade de compartilhar selfies das férias incessantemente; dar um tempo de postar stories no instagram. O não-registrar, de acordo com o movimento, traria de volta a capacidade de contemplar e de se integrar com quem está a sua volta.

Nossa sociedade exige respostas rápidas a todo tipo de mensagem, por isso as pessoas não conseguem se desconectar, sentindo que devem responder imediatamente a todas as mensagens que lhes chegam, principalmente se estiverem relacionadas ao trabalho. O que fazer, então, para sair do modo multitarefa na vida profissional e se tornar mais focado e eficaz?

Multitarefa x Concentração

Gestão Escolar - Como Ficar Louco com a Multitarefa

Comportamento Multitarefa Atrapalha a Concentração

Gestão Escolar - O Mito da Multitarefa

Para se organizar, é aconselhável fazer agendas semanais, listando a prioridade de cada dia. Note que basta uma prioridade por dia, para que exista foco. Se ao menos aquela prioridade for realizada, os resultados a longo prazo serão mais satisfatórios do que se a energia estiver dividida em várias ações simultâneas. Quando as prioridades são muitas, na verdade não se tem prioridade nenhuma. E, ao estabelecer uma meta diária, fica mais claro onde se deve direcionar a atenção.

Saber dizer não é importante no estabelecimento de metas. A modelo Gisele Bündchen, em seu livro Aprendizados, fala um pouco sobre a importância do foco como um dos passos para obter sucesso em qualquer área. Segundo ela, para conseguir focar em uma ação, é necessário “tomar pequenas atitudes que vão impulsionar você. É aqui que entra o trabalho árduo. O que será necessário para alcançar a sua meta? Você precisa mudar sua rotina diária ou eliminar da sua vida certos comportamentos que não lhe fazem bem? Você pode estabelecer objetivos para a sua vida, mas sem dedicação eles não serão atingidos”, afirma.

Não dá para assumir muitas tarefas e continuar saudável. É preciso estabelecer passos para manter o equilíbrio emocional no trabalho. Refletir sobre o objetivo principal daquele dia, sobre onde se quer chegar e cultivar a atenção plena na solução de um problema por vez traz mais satisfação para a atividade profissional.

Conseguir resolver uma questão diariamente dá a sensação de bem estar e de missão cumprida que não vem quando levamos muitas tarefas ao mesmo tempo sem conseguir findar nenhuma delas ao longo do dia. Por mais que os hábitos tenham mudado e a concepção de fazer muitas coisas ao mesmo tempo tenha tomado o mundo corporativo, quem adota o lema “menos é mais”, acaba conseguindo ser mais simples e dar conta de suas atividades de uma maneira mais tranquila.